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Orbital dos Monumentos de São Paulo

Filmagem orbital produzida especialmente para o acervo do projeto Monumentos de São Paulo, revelando elementos invisíveis na observação a partir do solo devido à escala monumental e preservando elementos essenciais da obra.

A Obra Como Nunca Vista Antes

MOMUMENTO À INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Artista: ETTORE XIMENES

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Leitura artística da obra:

O Monumento à Independência do Brasil não representa um instante isolado da história.
Ele constrói uma narrativa em movimento, onde cada figura desempenha um papel específico dentro de um grande discurso visual.

 

No centro da composição, a figura feminina elevada não é uma personagem histórica. Ela é a personificação da Pátria. Seu corpo ereto, o olhar firme e a posição superior indicam que a independência não é um ato impulsivo, mas uma ideia que se eleva acima dos indivíduos. Ela não luta — ela orienta.

 

À sua frente, os cavalos avançam com energia contida. Diferente de monumentos militares clássicos, aqui o movimento não é caótico nem violento. Ele é organizado, quase coreografado. A força existe, mas está subordinada a um propósito maior.

 

Ao redor da base, surge aquilo que raramente é observado: uma multidão de personagens. Soldados, civis, figuras populares, corpos em esforço, rostos tensos, gestos interrompidos. Não são heróis idealizados — são fragmentos da sociedade em transformação. Cada um carrega um peso simbólico: trabalho, sacrifício, expectativa, ruptura.

 

A filmagem orbital revela algo essencial:
o monumento não foi pensado para ser visto de um único ângulo. Ele exige deslocamento, aproximação, leitura circular. Somente assim se compreende que a independência, aqui, não é proclamada por um homem, mas construída por muitos.

 

Ettore Ximenes organiza a composição como uma ópera em bronze. Há personagens principais, secundários e silenciosos. Alguns quase escondidos, outros frontalmente expostos. Todos necessários. O espectador não é colocado diante de uma cena — ele é convidado a percorrer a história.

 

Vista de longe, a obra impressiona pela escala.
Vista de perto — e agora de cima — ela revela sua verdadeira força: a independência não é um grito congelado no tempo, mas um processo coletivo, complexo e profundamente humano.

As leituras artísticas apresentadas no site fazem parte de um trabalho curatorial autoral desenvolvido por Walter Ramos, que propõe uma nova forma de mediação da arte pública por meio de narrativa, imagem e tecnologia.

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