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Orbital dos Monumentos de São Paulo

Filmagem orbital produzida especialmente para o acervo do projeto Monumentos de São Paulo, revelando elementos invisíveis na observação a partir do solo devido à escala monumental e preservando elementos essenciais da obra.

A Obra Como Nunca Vista Antes

MOMUMENTO ÀS BANDEIRAS

Artista: VICTOR BRECHERET

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Leitura artística da obra:

O Monumento às Bandeiras não foi concebido para ser contemplado em silêncio — ele foi pensado para avançar.
Tudo nesta escultura se move para frente, mesmo estando imóvel.

 

O grupo de figuras humanas e animais forma um único corpo coletivo, compacto, tenso, em permanente esforço. Não há individualidade heroica: cada personagem existe apenas porque está ligado ao outro. A obra fala menos de pessoas específicas e mais de força conjunta, de ação contínua, de deslocamento.

 

Brecheret transforma a pedra em movimento.
Os corpos se inclinam, os músculos se tencionam, os rostos não se voltam ao espectador, mas ao horizonte. A escultura não busca diálogo com quem observa — ela ignora o olhar externo, porque seu destino está adiante.

 

A ausência de nomes reforça essa ideia. Não há protagonistas. Índios, negros, portugueses, mamelucos e mestiços formam uma massa única, empurrando a história para além do que já é conhecido. O monumento não celebra a chegada, mas o caminho — árduo, violento, contraditório e irreversível.

 

Ao inserir seu próprio autorretrato entre as figuras, Brecheret rompe a distância entre artista e obra. Ele não observa a história de fora: ele se insere nela, assumindo que a criação artística também é parte do movimento civilizatório que molda a cidade.

 

Vista à distância, a escultura impressiona pela escala. Vista de perto — especialmente agora, com registros que revelam seus detalhes — ela revela algo ainda mais poderoso: não há gesto supérfluo. Cada linha reforça a ideia de avanço, de peso compartilhado, de destino coletivo.

 

O Monumento às Bandeiras não é um elogio simples ao passado.
É uma imagem permanente da tensão que construiu São Paulo: esforço contínuo, diversidade forçada, conflito, ambição e transformação.

As leituras artísticas apresentadas no site fazem parte de um trabalho curatorial autoral desenvolvido por Walter Ramos, que propõe uma nova forma de mediação da arte pública por meio de narrativa, imagem e tecnologia.

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